Seminário comemora os 10 anos do Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina

abr 6, 2018 | Diálogo Florestal, Notícias

No ano de 2018 o Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina está completando 10 anos. Como parte da comemoração, no dia 27 de março de 2018 este Fórum realizou o Seminário – Planejamento da Paisagem e Conservação, na sede do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) – Campus Lages (SC).

O evento reuniu 115 participantes, incluindo representantes de empresas do setor florestal, ONGs, plantadores de florestas, agricultores, extensionistas rurais, órgãos ambientais e poder público municipal, conselhos municipais de meio ambiente, comitês de bacia hidrográfica, empresas de consultoria, estudantes e demais interessados no tema.

O seminário teve início com as boas vindas dadas pelo Prof. Vilson Heck Junior, da direção de ensino do IFSC Câmpus Lages, que enalteceu a importância destes eventos e do papel do Instituto na geração e difusão do conhecimento.

Marcos Alexandre Danieli, secretário executivo do Fórum Florestal PR e SC, abordou sobre o Diálogo Florestal e ações deste Fórum. Enalteceu o diálogo que vem sendo promovido e fortalecido nos 10 anos de existência do Fórum e a importância desse processo para buscar solucões que aliem  produção florestal com conservação da biodiversidade.

Miriam Prochnow, presidente da Apremavi, trouxe a importância do planejamento de paisagens para ambientes sustentáveis, citando o exemplo do arranjo estabelecido entre Prefeitura de Lages e Programas Matas Legais, parceria da Apremavi e Klabin, que viabilizou a elaboração do Plano Municipal de Conservação e Restauração da Mata Atlântica (PMMA).

O PMMA, instituído pela Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/2006) e regulamentado pelo Decreto 6.660/2008, é um instrumento de política pública e tem por finalidade diagnosticar e mapear os remanescentes de vegetação nativa; indicar os vetores de desmatamento e destruição da vegetação nativa; indicar áreas prioritárias para conservação e recuperação da vegetação nativa; e indicar ações preventivas aos desmatamentos ou destruição da vegetação nativa e de conservação e utilização sustentável da Mata Atlântica no âmbito do Município.

Lages, terra da festa do pinhão e capital do turismo rural, é o maior município catarinense e está integralmente na Mata Atlântica com dois tipos de vegetação: Floresta Ombrófila Mista e Campos de Altitude. A elaboração do plano mostrou que o município preserva mais de 173 mil hectares (66%) de sua vegetação nativa, sendo 18% de florestas e 48% de campos de altitude naturais. Para Miriam, “este dado aumenta a responsabilidade dos moradores do município de continuar protegendo, recuperando e utilizando de forma sustentável esse patrimônio para as presentes futuras gerações. As autoridades públicas e a população em geral agora passam a contar com uma importante ferramenta para orientar a conservação e recuperação da Mata Atlântica no município de Lages, para as presentes e futuras gerações”, conclui Miriam.

Michelle Pelozato, bióloga da Secretaria de Serviços Públicos e Meio Ambiente de Lages, agradeceu e enalteceu as parcerias para a elaboração do Plano da Mata Atlântica no município. “O plano vai nortear toda a política pública e gestão ambiental e precisará do apoio de toda a população para a sua implementação após aprovação”, destaca.

Ivone Namikawa, responsável pelo setor de sustentabilidade florestal da Klabin, falou sobre a certificação florestal como estratégia para o planejamento de propriedades e paisagens.

A certificação é um meio eficaz de ter reconhecimento público e do consumidor pelo manejo responsável das florestas. Representa um compromisso voluntário com os mais elevados padrões sociais e ambientais do mercado e permite o controle dos produtos florestais ao longo da cadeia de abastecimento, desde a floresta de origem”, frisa Ivone.

Um exemplo é apoio do Programa Matas Legais (parceria Apremavi e Klabin) à certificação de pequenos produtores e fornecedores no Paraná, ação que contou com o trabalho de consultoria especializada, 2Tree Consultoria. De 2014 a 2017 já foram certificados com o selo FSC® (Forest Stewardship Council®) 748 produtores no Paraná, o que perfaz mais de 174 mil hectares, sendo 83 mil de efetivo plantio. Este trabalho também vem sendo realizado em Santa Catarina e contribui para agregar valor ambiental, social e econômico às propriedades certificadas, destaca Ivone.

A Prof. Luciane Costa de Oliveira, docente do IFSC Lages, abordou sobre a importância deste Instituto no avanço na sustentabilidade da agricultura familiar na serra catarinense, citando como exemplo os seis anos de trabalho com a agroecologia.

Ela relembrou a grande mobilização da agricultura familiar serrana para a implantação do curso de agroecologia em Lages e do esforço conjunto para colocá-lo em funcionamento, o que tem contribuído para a realização de diversas pesquisas e cursos de qualificação que apromixam o IFSC da comunidade da região.

A grande maioria dos egressos estão no ensino superior e procuraram os cursos das agrárias para seguir seu itinerário formativo, destaca a Prof. Luciane. “Como ciência, a agroecologia atuará diretamente na formação e atuação profissional de nossos egressos. Em médio prazo, a adoção de práticas e comportamentos sustentáveis devem ser notados na serra”, frisa a Prof. Luciane.

Divulgação de materiais do Diálogo Florestal e instituições parceiras. Foto: Marcos Alexandre Danieli.

Reunião do Fórum

No dia seguinte ao Seminário o Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina realizou sua XXIX reunião em Campo Belo do Sul (SC), na sede da empresa Florestal Gateados. Além de discutir assuntos gerais, os participantes puderam conhecer mais sobre a Florestal Gateados na apresentação de Bruna Salami, analista de certificação e meio ambiente. Entre os temas apresentados, Bruna falou sobre a RPPN Emílio Einsfeld Filho, a maior do Estado de Santa Catarina e de propriedade da empresa.

Ao final do encontro foi realizada visita técnica em Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVC), percorrendo a trilha da cachoeira e área onde é conduzido o projeto de realocação da bromélia Dyckia distachya, espécie endêmica e ameaçada de extinção que ocorria exclusivamente em ambientes rochosos e de correreiras na Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai e que teve quase todas as suas populações extintas na natureza devido a construção de Usinas Hidreléticas, como a de Barra Grande.

O Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina agradece à equipe do Instituto Federal de Santa Catarina e da Florestal Gateados pelo apoio e parceria na realização destes eventos.

Participe do Fórum Florestal

Você é representante de empresa do setor florestal, de organização ambientalista ou movimento social com atuação no Paraná e Santa Catarina e tem interesse em participar do Fórum? Entre em contato com a secretaria executiva para mais informações: Marcos A. Danieli – [email protected]

Os encontros do Fórum constituem-se em importantes momentos para a troca de experiências entre os participantes, de maneira que experiências bem sucedidas possam servir de exemplos e replicadas para o setor florestal e organizações ambientalistas.

Autor: Marcos Alexandre Danieli.

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