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A importância das parcerias para a preservação

Autor: Carolina Schaffer e Miriam Prochnow. Publicado em 30/12/2011.

Carolina Schaffer numa das palestras em Heidelberg. Foto: Rose Bopp.

O ano de 2011 chega ao seu final. Foi um ano de muitos acontecimentos na área ambiental: avanços e retrocessos. Na área das políticas públicas infelizmente o balanço não é bom, especialmente se analisarmos a questão do Código Florestal e de outras legislações que ainda correm o risco de serem desmanteladas em nome de um “falso progresso”.  Muitas das análises apontam que em 2011 tivemos os maiores retrocessos dos últimos 20 anos na área ambiental no Brasil.

Para contrapor um pouco esse balanço negativo, felizmente temos no Brasil e no mundo, inúmeras iniciativas que mostram que não podemos desistir e que na verdade precisamos ampliar essas experiências e projetos. Na Apremavi  um desses projetos é a parceria  com a organização alemã BUND  (Bund Für Umwelt und Naturschutz Deutschland) e tem como objetivo desenvolver o Projeto “Heidelberger Wäldchen in Brasilien” (Bosques de Heidelberg no Brasil).

A parceria existe desde 1998 e já plantou cerca de 90 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. Desde 2008 representantes da Apremavi também participam de uma semana de palestras sobre a Mata Atlântica, para estudantes em Heidelberg. Este ano a responsável pelas palestras foi a Bióloga e sócia da Apremavi, Carolina Schaffer. Ela esteve em Heidelberg de 05 a 09 de dezembro, conversando com cerca de 570 alunos, com idade de 10 a 13 anos, de 9 escolas, públicas e particulares. O objetivo dessas palestras foi conscientizar os estudantes sobre a importância da Mata Atlântica e também sobre as questões ambientais globais e o que cada um pode fazer para contribuir. Nas palestras, Carolina esteve acompanhada de Brigitte Heinz, representante do BUND e de Rose Bopp, estagiária brasileira do BUND.

Para Brigitte Heinz as palestras foram muitos boas: "A nossa semana foi muito proveitosa e nossas palestras muito boas porque conseguimos ver que a maioria das crianças ficaram bastante comovidas com as imagens de destruição e isso fez com que elas se interessassem em agilizar uma mobilização para continuar ajudando o projeto das Florestas de Heidelberg no Brasil." Ela complementa:  "As imagens da destruição eram fortes mas serviram para motivar as crianças que é importante ajudar e que cada um pode fazer alguma coisa. Outra percepção importante foi que as crianças fizeram muitos comentários positivos sobre as imagens da natureza brasileira e sobre as espécies que existem no Brasil, principalmente dos bichos. O Puma foi o mais adorado!"

Para Carolina Schaffer, o ciclo de palestras "Der RegenWald Komnt in die Klassenzimmer" foi sensacional: “Tivemos uma semana muito proveitosa na companhia das crianças. A percepção que fica é que na maioria das escolas as crianças já estavam bem informadas sobre os problemas relacionados à destruição das florestas. Muitos se posicionaram a favor de uma mudança urgente de hábitos. As principais mudanças de hábito discutidos entre os alunos sempre eram: o uso de papel reciclado (nos cadernos, guardanapos, papel higiênico, lenços de papel), o uso de madeira legal (que não venha dos trópicos), comer menos carne ou comer "carne bio" (carne certificada e que não promova o desmatamento das florestas tropicais), comprar ração que seja feita de soja certificada. Todos também ficaram felizes em saber que podem se mobilizar  na Alemanha para que florestas sejam restauradas no Brasil”.

Carolina ainda avalia que o grau de informação dos estudantes de lá é alto. Em uma das turmas um menino levantou o dedo e perguntou: “mas de que adianta a gente continuar plantando ou juntando dinheiro aqui para plantar árvores no Brasil se eu li no jornal hoje que as leis ambientais no Brasil vão mudar e para pior?”. Carolina comenta: “Pelo visto até as crianças da Alemanha sabem o que nossos políticos não sabem e aproveitamos a oportunidade para explicar a eles a importância das atividades de mobilização”.

Muitos se interessaram em visitar a Apremavi e plantar árvores, a exemplo de Jonas Pucher, que estagiou durante 3 meses na Apremavi, de setembro a novembro de 2011. Durante sua estada em Atalanta, Jonas traduziu algumas das seções do site da Apremavi para a língua alemã e plantou algumas árvores junto com seu pai Stephan Pucher, da diretoria do BUND, durante sua  rápida passagem pelo Brasil, em novembro.

A Apremavi aposta que a multiplicação de parcerias como esta com o BUND é uma das saídas para a crise ambiental local e mundial. As pessoas precisam urgentemente se dedicar mais à preservação do meio ambiente se quiserem garantir um futuro sustentável para seus filhos e netos. Que 2012 seja um ano melhor para as florestas ao redor do mundo.

Fotos: Carolina Schaffer, Rose Bopp, Stephan Pucher e Jonas Pucher.


Comentários

Eloy Fenker em 01/01/2012 às 22h07
Parece que a questao ambiental é uma questao economica, pois quem mais destrói a natureza mais rico fica, como no caso da Europa. Mas alguem precisa preservar , no caso os países pobres...mas precisam ao mesmo tempo serem remunerados pela preservaçao em favor dos ricos, que por sua vez nao querem pagar pelo serviço que as colonias prestram.
Pearce e Moran (97) questionam “Por que desaparece a biodiversidade?”, respondendo que “as incapacidades econômicas estão no âmago de qualquer explicação para a perda de diversidade biológica”, pois as forças econômicas conduzem à destruição porque a biodiversidade tem valor econômico, mas à conservação é atribuído um valor menor do que o valor atribuído às atividades que originam sua perda, concluindo que “há algo errado com o modo como são tomadas as atuais decisões econômicas’ que falham em captar os valores econômicos da biodiversidade passíveis de serem identificados.
No Brasil, a biodiversidada nao tem qualquer valor economico, pois o governo desapropria áreas para criaçao de UC's e nao atribui qualquer valor economico, contrariando todos os principios economicos, éticos e morais. Com isso, incentiva a destruiçao. A politica governamental é de valorizar mais a floresta destruída do que a floresta em pé.Em estudo que estou fazendo, áreas sem florestas tem mais valor economico do que areas com florestas e por isso os proprietários derrubam as florestas visando obter maior valor.
Nossa política ambiental é totalmente contrária ä preservaçao, e incentiva a destruiçao, como tendo a concluir em meus estudo.
A soluçao seria valorizar a biodiversidade, atribuindo valor de conservacao superior ao valor de destruiçao!

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