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Florestas são derrotadas na Comissão de Meio Ambiente

Autor: Bruno Taitson.WWF Brasil - Brasília | Publicado em 24/11/2011.

O texto do novo código vai estimular novos desmatamentos. Foto: Wigold Schaffer.

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado impôs mais uma derrota às florestas brasileiras e aos recursos naturais do país. Foi aprovado, nesta quarta-feira (23/11), o texto substitutivo apresentado pelo senador Jorge Viana (PT-AC), relator da matéria, por ampla maioria na CMA. Apenas o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) votou contra a matéria.

O texto mantém, em sua essência, uma série de retrocessos advindos do substitutivo aprovado na Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), como a anistia a crimes ambientais e a desobrigação de recompor áreas desmatadas em APPs e reservas legais.

Segundo a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, o Brasil sofreu uma derrota fragorosa na Comissão. “É mentira dizer que o texto é bom e que houve consenso entre ambientalistas e ruralistas, chegando-se ao chamado caminho do meio. Na verdade, foi trilhado o caminho da ampliação das devastações e do retrocesso, com patrocínio do Governo Federal e a omissão do Ministério do Meio Ambiente”, protestou.

Marina Silva ainda manifestou desapontamento com o relator da matéria na Comissão de Meio Ambiente, senador Jorge Viana. “Uma coisa é sermos derrotados pelo Aldo Rebelo, outra é ver os ruralistas celebrando um texto do nosso companheiro Jorge Viana. Fiquei por 16 anos no Senado e nunca vi uma unanimidade ruralista tão grande, hoje foi um dia muito difícil para mim”, lamentou a ex-senadora.

João Paulo Capobianco, ex-secretário de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, também criticou o texto aprovado. “Trata-se muito mais de um código agrícola do que de um código florestal. Foi uma grande decepção, especialmente porque o relator é uma pessoa que tinha um compromisso com o meio ambiente”, analisou.

Um dos pontos que mais despertou desconfiança em relação ao processo foi a pressa com que a matéria tramitou. O senador Jorge Viana leu o substitutivo na segunda-feira (21/11) e foram dadas menos de 48 horas para que as mais de 200 emendas apresentadas fossem analisadas, discutidas e votadas. Até poucos minutos antes da votação os senadores ainda não haviam recebido cópias de todas as emendas.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) lembrou que, quando o texto tramitou nas comissões de Constituição e Justiça (CCJ), Ciência e Tecnologia (CCT) e Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, não foi dado espaço para discutir o mérito do substitutivo, sob a promessa de que os debates mais aprofundados aconteceriam na Comissão de Meio Ambiente. Isso não aconteceu. “Não há motivo para tanto atropelo, não podemos votar algo de tamanha importância dessa forma. Estamos votando no escuro”, protestou.

O senador Randolfe Rodrigues pediu por reiteradas vezes que a votação fosse adiada, para que o texto e as mais de 200 emendas apresentadas pudessem ser avaliados e discutidos pelos senadores encarregados de votar a matéria. “O substitutivo lido pelo senador Jorge Viana anteontem já sofreu mudanças estruturais, muitos problemas persistem no texto. Não podemos votar desta maneira”, disse. Porém, o presidente da Comissão, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), ignorou o pedido de Randolfe Rodrigues e o regimento interno do Senado, determinando o andamento da votação.

Segundo o parlamentar do PSOL, é fundamental que a sociedade se envolva com o tema e exija que os senadores rejeitem o texto em plenário. A votação deve acontecer nas próximas semanas. Os ruralistas pretendem, ainda este ano, aprovar o substitutivo no Senado, em segundo turno na Câmara e obter a sanção da presidente Dilma Rousseff.

Dentre as mais de 200 emendas apresentadas, 77 foram destacadas para votação nesta quinta (24/11). Segundo Kenzo Jucá, analista de políticas públicas do WWF-Brasil, a maior parte delas tem o potencial de tornar o texto ainda pior do que o que foi aprovado nesta quarta. “Isso demonstra que o calendário adotado pelas comissões do Senado inviabilizou a formulação de um texto que proteja as florestas”, concluiu.

Matéria produzida e publicada pelo WWF Brasil.

Comentários

Antonio Libório Philomena em 25/11/2011 às 10h24
Incrível mas o Danilo do CQC já disse:que a única diferença entre um deputado e um senador é que um ganha mais que o outro!

Florisvaldo Lopes Gonçalves em 25/11/2011 às 14h56
Nada a declarar.....

Uma vergonha,,,,,,,,,

Uma vergonha,,,,,,,,

Uma vergonha,,,,,,,,,,

Até quando a natureza vai aguentar isso,,,,,,,,,,,,,,,vergonha,,,,,

Carolina Schäffer em 25/11/2011 às 15h19
Vergonhoso!

E o pior é saber que a mesma população que votou nesses caras uma vez.. vai votar de novo.

Evilásio Puttkamer Jr em 25/11/2011 às 15h37
Mais uma vez os políticos brasileiros mostraram pra que estão lá....Infelismente o que manda é o dinheiro no bolso dos poderosos....vai chegar um dia em que os produtore rurais irão implorar misericórdia divina "precisamos de chuva" "meu solo não produz mais" "quantas pragas na minha lavoura" "não aguento comprar tantos insumos" "não posso irrigar minha lavoura porque o rio secou" depois não adianta culpar deus por isso.

Renato Milhiolo em 25/11/2011 às 21h13
Como Secretário de Meio Ambiente, no programa de rádio de minha Secretaria, vou encontrar dificuldades em explicar para o produtor rural mais simples, esse tipo de crime ambiental. Essa aberração tende a crescer já que ainda falta a aprovação do restante. O grande culpado disso tudo é a REELEIÇÃO PÓLITICA, onde "eles vendem a própria mãe" meus pesames à Gaia...

Mauro Pacheco de Oliveira em 26/11/2011 às 07h30
os maiores culpados por esta aberração contra o meio ambiente, não é os poçíticos nal intencionados como os que votaram a favor desta matéria, mas sim a grande maioria de analfabetos e ignorantes que votam atroco de uma cesta básica, uma pinquinha no buteco, etc.Os votos dos ignorantes esta levando este país a uma catastrofe sem precedente, e junto levaremos o restante do mundo. Um ponto para a burrice.

Angelo em 26/11/2011 às 19h19
Fato: Isso faz parte do Brasil de 2011. Lamentável. Cabe a nós exercemrmos influências para que, dentro de nossas competências e possibilidades de influência, no futuro as coisas sejam diferentes. Votar em canditatas e candidatos que defendem a sustentabilidade da vida no nosso planeta, já significa uma contribuiçao para a herança que deixaremos para nossos amados descendentes. Além disso, podemos fazer nossas pequenas contribuiçoes no dia-a-dia e ao longo dos anos.
Reclamar é fácil, compreensível, certamente importante, entretanto talvez inútil. Vamos agir.
O Brasil é o país do futuro... A Apremavi vai escrevendo um pedaço da História deste lindo país. Obrigado.
Saudaçoes aqui da Alemanha.

Nilson Surdi em 26/11/2011 às 22h27
Minha revolta com essa turma é tão grande que devo me conter em meus comentários. Uma turma de incompetentes, uma vergonha nacional. Esse grupo ruralista já pode ser batizado com outro nome bem conhecido da história, que no momento não vem ao caso. A sociedade brasileira não pode ser tratada dessa maneira por meia dúzia de incompetentes, analfebetos ambientais. Que vergonha....

Maria Amália K Donini em 27/11/2011 às 22h14
Gente, não adianta lamentar ou reclamar, afinal, não foram vocês que votaram nestes safados por anos e anos. O voto é a principal arma que temos para selecionar os competentes, os honestos (será que tem algum neste país?????) e os que abominam a corrupção. Ainda podemos corrigir isto nas próximas eleições. Quanto a mim, paisagista, ecologista e amante da natureza, tenho o hábito de plantar pelo menos 1 ou 2 plantas por dia, E FICO FELIZ DE SABER QUE EU CONTRIBUO COM O MEU PAÍS. A minha única tristeza é saber que nunca nehum candidato que votei ganhou qualquer eleição.

Silene Dantas da Silva em 28/11/2011 às 11h17
Pois é, nós sabemos onde tudo isso vai dar! quando eu me refero a"NÓS'', estou falando de pessoas que realmente se preocupa com a Mãe Natureza,pessoas essas que sabem o valor da preservação do meio Ambiente! e se as coisas estão do jeito que estar, Deus não é culpado, pois só colhemos o que plantamos;para refletir: "Somente depois da ultima arvore derrubada, do ultimo animal extinto,e quando percebemos o ultimo rio poluido, sem peixe, o homen irá ver que o dinheiro não se come"!!! Proverbio indijina

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