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Averbação de Reserva Legal é discutida em Rio do Sul

Autor: Geraldine Marques Maiochi e Miriam Prochnow. Publicado em 23/07/2009.

Participantes lotaram o auditório do seminário. Fotos: Miriam Prochnow
No dia 20 de julho de 2009, a Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), realizaram seminário sobre Legislação Ambiental objetivando a regularização ambiental das propriedades rurais no que diz respeito à Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente, conforme o Acordo de Cooperação Técnica assinado entre a AMAVI e o MMA. O evento aconteceu no auditório da Secretaria de Educação de Rio do Sul (SC).

Participaram do evento, representantes das prefeituras do Alto Vale do Itajaí, secretários de agricultura e meio ambiente, representantes de sindicatos de trabalhadores rurais, organizações ambientalistas, associações de produtores rurais e representantes da FATMA, EPAGRI, MMA e Ministério Público Estadual (MPE).

Wigold Schäffer, Coordenador dos Núcleos Mata Atlântica e Pampa do MMA, falou sobre o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica, no contexto da adequação de propriedades rurais. Emerson Oliveira também do MMA explicou aos presentes a importância das Unidades de Conservação. Agostinho Senem, Secretário Executivo da AMAVI apresentou o programa de averbação de Reserva Legal que será implementado pela AMAVI com apoio das Prefeituras e também da Fundação de Meio Ambiente (FATMA). O programa prevê o mapeamento dos remanescentes florestais existentes no Alto Vale do Itajaí e a partir disso a proposição de Corredores Ecológicos através da conexão da Reserva Legal de cada propriedade.

Também palestraram, o representante do Ministério Público Estadual, Ernani Dutra, os representantes da FATMA Arno Alex Zimmermann e Edson Luckmann, Paulo Roberto Lisboa Arruda da EPAGRI e Humberto Luiz do CONSAGRI – AMAVI.

Para a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) coube a palestra sobre Recuperação de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, proferida por Miriam Prochnow. Miriam fez uma apresentação das várias metodologias existentes para recuperação e restauração de áreas, de acordo com o objetivo que se quer atingir e mostrou um pouco dos resultados já alcançados em algumas áreas com as quais a Apremavi vem trabalhando.

A região do Alto Vale do Itajaí possui 25 mil pequenos agricultores e uma área de 140 mil ha para serem averbadas, pois poucos imóveis possuem averbação. O acordo firmado entre AMAVI e MMA, prevê num prazo de dois anos a averbação de, no mínimo, 70% dos imóveis. Agostinho Senem diz que “esse trabalho é de mobilização e sensibilização com os agricultores. Nenhum vai ser obrigado a fazer através da AMAVI, mas os que participarem do programa terão apoio para isso”.

De acordo com estudos feitos pelo Ministério do Meio Ambiente, 70% das propriedades possuem remanescentes disponíveis para a composição da Reserva Legal, faltando apenas a averbação em cartório. “Esse dado nos mostra que é possível e viável o cumprimento da legislação”, comenta Wigold.

Arcanjo Odorizi, agricultor de Mirim Doce (SC), acabou se tornando a “personalidade ambiental” do evento, pelo fato de ser o único agricultor presente a já ter averbado a sua Reserva Legal e se dizer muito orgulhoso de estar em dia com a legislação. Em seu depoimento ele frisou que os 8 hectares de Reserva Legal de sua propriedade são um bem extremamente precioso.

Para a Apremavi, a iniciativa da AMAVI e do MMA é de extrema importância para a conservação da biodiversidade, uma vez que a ideia é formar mosaicos de corredores ecológicos entre as propriedades, unindo os remanescentes florestais e permitindo o fluxo gênico entre as espécies da fauna e flora. Outro fator importante é a garantia da conservação dos recursos hídricos e do solo, além de contribuir para o equilíbrio do clima.

A iniciativa também vai mostrar na prática que o cumprimento da legislação ambiental, não só é possível e viável, como necessária para se agregar valor às propriedades rurais e efetivamente manter os agricultores no campo, com qualidade de vida.

Comentários

wilson em 23/07/2009 às 14h27
Os corredores da biodiversidade deveriam ser obrigatórios por lei em fragmentos de 1ha em diante, esta medida contribuiria para a sobrevivência de espécies e do fluxo gênico.

Um abraço

Geraldo Boêger Eller em 28/07/2009 às 10h53
Este é um acontecimento importante. Lembro que muitos não querem averbar a reserva legal, e querem uma margem ciliar menor como APP. Na prática adotam técnicas inadequadas na agropecuária, procuram pouco a assistencia técnica e geralmente por isso, plantam pasto até o lado do rio, e sobre as nascentes. Usam agrotóxicos e adubos sem critérios téncicos adequados assim já estão inadequados ha muito tempo. É preciso que o Estado exija o uso mais eficiente do solo, pois desta forma sobrará espaço para o meio ambiente.

thais pereira em 28/07/2009 às 16h56
adorei o texto vou ler de novo

Paulo Butsch em 06/09/2009 às 20h42
Esta obrigatoriedade de se fazer a averbação da reserva legal é muito importante, e concordo que deva ser feita, porém o custo de se fazer é muito grande, já que se deve contratar um profissional para fazer o georeferenciamento e o levantamento desta reserva e a averbação.
Existem muitos agricultores como eu que não tenho condições econômicas de fazê-la. Então pergunto como posso me adequar à lei nesta situação

Maurício Lima Dan em 10/10/2009 às 13h40
Olá, como vão? Fiquei feliz em ver que tem gente "colocando a mão na massa" pra ajudar o agricultor a se adaptar. Sou biólogo, mestre em ecologia e recursos naturais e filho de agricultor.Atualmente fui contratado pela secretaria de agricultura do RJ para capacitar agricultores em conservação de nascentes e recuperação de mata ciliar. Qual não foi minha surpresa, descobri que a questão burocrática ainda é muito obscura para a população. Estou tendo muita dificuldade de entender a legislação para peneirar aquilo que deve ser passado para o agricultor da melhor forma possível. Tenho pesquisado muito e visto que pouca coisa tem sido divulgada. Gostaria de saber se a Apremavi possui algum material de texto ou audio-visual para me ajudar nesta árdua tarefa. Gratíssimo.

Udo Fauth em 21/10/2009 às 22h22
sou agricultor, planto arroz em massaranduba,e estou preservando uma area de mato,como tambem a beira do rio onde retiro a agua para irrigaçao. só que para fazer a averbaçao a um custo alto e como sempre sobra tudo para o agricultor, como se ja não bastasse as outras dificuldades que passamos como preços baixos dos nossos produtos.Pretendo fazer a averbação desta area mas no momento não tenho condições, de qualquer forma vou preservar esta area averbada ou não. Há agricultores que não deveriam ser agricultores como a governantes que não deveriam governar.Que bom seria se todos preservassem de alguma forma e não jogar tudo no ombro de quem ja carrega um fardo pesado. É mais facil criticar,impor leis,condenar do que realmente ajudar a fazer a coisa certa.E facil colocar prazo para fazer a averbação sem se importar se é o suficiente para nós.Estou fazendo a minha parte. Um abraço.

edilson em 01/12/2009 às 11h13
tambem acho de extrema importancia recompor areas com mata em todas as propriedades, sò não concordo que os agricultores tenham que arcar com os custos pois o beneficio è para toda a sociedade entao a sociedade teria que contribuir,ou atè as industrias que geram poluentes.

Adolfo - São Miguel Arcanjo em 27/12/2009 às 09h40
Concordo com a necessidade, porem 100% do investimento não pode cair sobre o pequeno agricultor. Como o Projeto da Reserva Legal beneficia a todos, não há interesso do governo contribuir com parte do investimento? Existe algum projeto para este fim?

VITOR LUIS DA SILVA em 31/08/2010 às 08h53
Hoje ou até quando é possível transferir uma escritura de área rural que ainda não tem o Registro da Reserva Legal ?

Guilherme em 13/10/2011 às 18h28
Vitor Luis, a exigência da Reserva Legal para alterações na matrícula de um imóvel é de 1965, apesar de o cumprimento efetivo da lei ser algo recente.
Portanto, hoje, a Reserva Legal é necessária para fazer alterações no Registro.

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