Criação do código ambiental catarinense:
uma reflexão sobre as enchentes e os deslizamentos
Blumenau, 28 de novembro de 2008
As imagens de morros caindo, de desespero e morte, de casas, animais e automóveis sendo tragados por lama e água, vivenciadas por centenas de milhares de pessoas no Vale do Itajaí e Litoral Norte Catarinense nos últimos dias, são distintas, e muito mais graves, das experiências de enchentes que temos na memória, de 1983 e 1984.
Por que tudo aconteceu de forma tão diferente e tão trágica? Será que a culpa foi só da chuva, como citam as manchetes? Nossa intenção não é apontar culpados, mas mencionar alguns fatos para reflexão, para tentar encaminhar soluções mais sábias e duradouras, e evitar mais e maiores problemas futuros.
Houve muita chuva sim. No médio vale do Itajaí ocorreu mais que o dobro da quantidade de chuva que causou a enchente de agosto de 1984. Aquela enchente foi causada por 200 mm de chuva em todo o Vale do Itajaí. Agora, em dois dias foram registrados 500 mm de precipitação, ou seja, 500 litros por metro quadrado, mas somente no Médio Vale e no Litoral.
A quantidade de chuva de fato impressiona. Segundo especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a floresta amazônica é a principal fonte de precipitações de grande parte do continente e tudo o que acontecer com ela modificará de maneira decisiva o clima no Sul e no norte da América do Sul. Assim, as inundações de Santa Catarina e a seca na Argentina seriam atribuídas à fumaça dos incêndios florestais, que altera drasticamente o mecanismo de aproveitamento do vapor d'água da floresta amazônica. Outros especialistas discordam dessa hipótese e afirmam que houve um sistema atmosférico perfeitamente possível no Litoral Catarinense.
Existe uma periodicidade de anos mais secos e anos mais úmidos, com intervalo de 7 a 10 anos, e entramos no período mais úmido no ano passado. Esse mecanismo faz parte da dinâmica natural do clima. De qualquer forma, outros eventos climáticos como esse são esperados e vão acontecer.
Mas o Vale do Itajaí sabe lidar com enchentes melhor do que qualquer outra região do país. Claro que muito pode ser melhorado no gerenciamento das cheias, à medida que as prefeituras criarem estruturas de defesa civil cada vez mais capacitadas e à medida que os sistemas de monitoramento e informação forem
sendo aperfeiçoados.
De todos os desastres naturais, as enchentes são os mais previsíveis, e por isso mais fáceis de lidar. Os deslizamentos e as enxurradas não. Esses são praticamente imprevisíveis, e é aí que reside o real problema dessa catástrofe.
É preciso compreender que chuvas intensas são parte do clima subtropical em que vivemos. E é por causa desse clima que surgiu a mata atlântica. Ela não é apenas decoração das paisagens catarinenses, tanto como as matas ciliares não existem apenas para enfeitar as margens de rios. A cobertura florestal natural das encostas, dos topos de morros, das margens de rios e córregos existe para proteger o solo da erosão provocada por chuvas, permite a alimentação dos lençóis d´água e a manutenção de nascentes e rios, e evita que a água da chuva provoque inundações rápidas (enxurradas).
A construção de habitações e estradas sem respeitar a distância de segurança dos cursos d’água acaba se voltando contra essas construções como um bumerangue, levando consigo outras infra-estruturas, como foi o caso do gasoduto. Esse é um dos componentes da tragédia.
Já os deslizamentos, ou movimentos de massa, são fenômenos da dinâmica natural da Terra. Mas não é o desmatamento que os causa. A chuva em excesso acaba com as propriedades que dão resistência aos solos e mantos de alteração para permanecerem nas encostas. O grande problema de ocupar encostas é fazer
cortes e morar embaixo ou acima deles. Há certas encostas que não podem ser ocupadas por moradias, principalmente as do vale do Itajaí, onde o manto de intemperismo, pouco resistente, se apresenta muito profundo e com vários planos de possíveis rupturas (deslizamento), além da grande inclinação das encostas. E é aí que começa a explicação de outra parte da tragédia que estamos vivendo.
A ocupação dos solos nas cidades não tem sido feita levando em conta que estão assentadas sobre uma rocha antiga, degradada pelas intempéries, e cuja capacidade de suporte é baixa. Através dos cortes aumenta a instabilidade. As fortes chuvas acabaram com a resistência e assim o material deslizou.
A ocupação do solo é ordenada por leis municipais, os planos diretores urbanos. Esses planos diretores definem como as cidades crescem, que áreas vão ocupar e como se dá essa ocupação. Por falta de conhecimento ecológico dos poderes executivo, judiciário e legislativo (ou por não leva-lo em consideração), o código florestal tem sido desrespeitado pelos planos diretores em praticamente todo o Vale do Itajai, e também no litoral catarinense, sob a alegação de que o município é soberano para decidir, ou supondo que a mata é um enfeite desnecessário. Da mesma forma, as encostas têm sido ocupadas, cortadas e recortadas, à revelia das leis da Natureza.
Trata-se de uma falta de compreensão que está alicerçada na idéia, ousada e insensata, de que os terrenos devem ser remodelados para atender aos nossos projetos, em vez de adequarmos nossos projetos aos terrenos reais e sua dinâmica natural nos quais irão se assentar.
A postura não é diferente nas áreas rurais, onde a fiscalização ambiental não tem sido eficiente no controle de desmatamentos e intensidade de cultivos em locais impróprios, como mostram as denúncias frequentes veiculadas nas redes que conectam ambientalistas e gestores ambientais de toda região. A irresponsabilidade se estende, portanto, para toda a sociedade.
Deslizamentos, erosão pela chuva e ação dos rios apresentam fatores condicionantes diferentes, mas todos fazem parte da dinâmica natural. A morfologia natural do terrreno é uma conquista da natureza, que vai lapidando e moldando a paisagem na busca de um equilíbio dinâmico. Erode aqui, deposita ali e assim vai
conquistando, ao longo de milhões de anos, uma estabilidade dinâmica. O que se deve fazer é conhecer sua forma de ação e procurar os cenários da paisagem onde sua atuação seja menos intensa ou não ocorra.
As alterações desse modelado pelo homem foram as principais causas dos movimentos de massa que ocorreram em toda a região. Portanto, precisamos evoluir muito na forma de gestão urbana e rural e encontrar mecanismos e instrumentos que permitam a convivência entre cidade, agricultura, rios e
encostas.
Por isso tudo, essa catástrofe é um apelo à inteligência e à sabedoria dos novos ou reeleitos gestores municipais e ao governo estadual, que têm o desafio de conduzir seus municípios e toda Santa Catarina a uma crescente robustez aos fenômenos climáticos adversos. Não adianta reconstruir o que foi destruído, sem considerar o equívoco do paradigma que está por trás desse modelo de ocupação. É necessário pensar soluções sustentáveis. O desafio é reduzir a vulnerabilidade.
Uma estranha coincidência é que a tragédia catarinense ocorreu na semana em que a Assembléia Legislativa concluiu as audiências públicas sobre o Código Ambiental, uma lei que é o resultado da pressão de fazendeiros, fábricas de celulose, empreiteiros e outros interesses, apoiados na justa preocupação de pequenos agricultores que dispõe de pequenas extensões de terra para plantio.
Entre outras propostas altamente criticadas por renomados conhecedores do direito constitucional e ambiental, a drástica redução das áreas de preservação permanente ao longo de rios, a desconsideração de áreas declivosas, topos de morro e nascentes, além da eliminação dos campos de altitude (reconhecidas paisagens de recarga de aqüíferos) das áreas protegidas, são dispositivos que aumentam a chance de ocorrência e agravam os efeitos de catástrofes como a que estamos vivendo. Alega o deputado Moacir Sopelsa que a lei ambiental precisa se ajustar à estrutura fundiária catarinense, como se essa estrutura fundiária não fosse, ela mesma, um produto de opções anteriores, que negligenciaram a sua base de sustentação.
Sugerimos que os deputados visitem Luiz Alves, Pomerode, Blumenau, Brusque, só para citar alguns municípios, para aprender que a estrutura fundiária e a urbana é que precisam se ajustar à Natureza. Dela as leis são irrevogáveis e a tentativa de revogá-las ou ignorá-las custam muitas vidas e dinheiro público e privado.
É hora de ter pressa em atender os milhares de flagelados. Não é hora de ter pressa em aprovar uma lei que torna o território catarinense ainda mais vulnerável para catástrofes naturais.
Prof. Dra. Beate Frank (FURB, Projeto Piava)
Prof. Dr. Antonio Fernando S. Guerra (UNIVALI)
Prof. Dra. Edna Lindaura Luiz (UNESC)
Prof. Dr. Gilberto Valente Canali (Ex-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos)
Prof. Dr. Hector Leis (UFSC)
João Guilherme Wegner da Cunha (CREA/CONSEMA)
Prof. Dr. Juarês Aumond (FURB)
Prof. Dr. Julio Cezar Refosco (FURB)
Prof. Dr. Lino Fernando Bragança Peres (UFSC)
Prof. Dra. Lúcia Sevegnani (FURB)
Prof. Dr. Luciano Florit (FURB)
Prof. Dr. Luiz Fernando P. Sales (UNIVALI)
Prof. Dr. Luiz Fernando Scheibe (UFSC)
Prof. Dr. Marcus Polette (UNIVALI)
Prof. Dra. Noemia Bohn (FURB)
Núcleo de Estudos em Serviço Social e Organização Popular - NESSOP (UFSC)
Prof. Dra. Sandra Momm Schult (FURB)
Equipe do Projeto Piava (Fundação Agência de Água do Vale do Itajaí).
Se você também quer uma discussão mais
aprofundada sobre o Código Ambiental e deseja que os parlamentares saibam
disso, acesse o site www.comiteitajai.org.br/abaixoassinado
Comentários
Wigold B. Schaffer em 29/11/2008 às 18h38
Parabéns a todos os professores e pesquisadores pela iniciativa. Mostra que existem pessoas abnegadas e serenas, além de preocupadas com o bem estar geral, que conseguem trazer luz para a discussão desta catástrofe.
Um documento, além de oportuno, muito importante, especialmente neste momento em que forças políticas retrógradas e incompetentes, e com interesses imediatistas, investem contra a legislação ambiental na Assembléia Legislativa de SC, no Congresso Nacional e no CONAMA.
Infelizmente o Governo e alguns parlamentares de Santa Catarina tem atuado em todas frentes possíveis (Assembléia Legislativa de SC, Congresso Nacional, CONAMA) para acabar com a legislação que protege as áreas de preservação permanente e a reserva legal, visando ampliar as possibilidade de ocupação de áreas de risco, sob discursos sem nenhuma consistência técnica ou científica.
Se não bastasse isso, o Governador de SC quer também acabar com as Unidades de Conservação. Neste sentido impetrou há algum tempo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, através da qual pretende impedir a criação de novas áreas protegidas. O exemplo mais absurdo das iniciativas do Governo de SC é o recente Projeto de Lei encaminhado a Assembléia Legislativa para acabar com grande parte do Parque do Tabuleiro. Só para lembrar, a maior parte da água da grande Florianópolis vem de dentro do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.
Tem mais, o Governo de SC também impetrou ações no STF contra o Parque Nacional da Serra do Itajaí, o Parque Nacional das AraucáriaS e a Estação Ecológica da Mata Preta além de apoiar ações na justiça contra a criação do Parque Nacional do Campo dos Padres e do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas.
É o momento de denunciar todos essas iniciativas contra o meio ambiente, que ao fim e ao cabo, acabam sendo iniciativas contra o bem estar da sociedade.
Lucia Sevegnani em 29/11/2008 às 19h21
Ouço incessantemente o som dos helicópteros do exército, das ambulâncias, das sirenes da polícia, dos bombeiros
ouço incessantemente o som da chuva
ouço incessantemente o som da água, da lama, das pás...
e ouvi nos dias 22, 23, 24 os sons dos transformadores estourando, dos fios emaranhados, dos gritos desesperados dos que viam suas casas se desmanchando encosta abaixo, isso de minha janela ...
Não bastasse tanta tristeza ainda tenho de ler e ouvir tantas palavras vazias de verdade nas bocas dos políticos, botando a culpa somente no clima.
Quero manifestar a profunda gratidão de minha alma ao coronel do Exército de Joinville que aqui se encontra em Blumenau com uma excelente estratégia de salvamento e apoio, o qual juntamente com as autoridades daqui e os bombeiros, soldados, voluntários e ..., atuam desde domingo incansavelmente.
Em todos os rostos a tristeza, na voz os relatos de perdas de vidas, de casas, de terrenos, de móveis... de vizinhos, de familiares, de amigos e ilustres desconhecidos.
O bairro Jordão ainda não foi acessado, a chuva pára e volta, eles (os moradores) estão isolados. O exército está levando água e
mantimento. As estradas de acesso ao Parque Nacional da Serra do Itajaí não terão trânsito nem em 3 meses. Tudo é muito grande, catastrófico e dolorido, dolorido emocional,social, ecológica e economicamente, ...
A ajuda virá, mas será que para reconstruir nas áreas de risco, nas encostas, favorecendo a próxima catástrofe, ou nas margens dos rios, em cotas abaixo de 8 ou 10 para serem molhadas na próxima chuva...ou pior arrastadas na próxima enxurrada.
Qual será a estratégia, do Ministério das Cidades, do Meio Ambiente, as Secretarias do Estado de SC e das prefeituras frente aos problemas atuais e futuros de Blumenau e região.Reconstruir sim, mas onde... com que segurança...
Não podemos deixar que as leis ambientais se tornarem mais permissivas. Já temos problemas demais.
Lucia Sevegnani em 29/11/2008 às 19h36
Precisamos nos unir para que a conservação vença a destruição, ainda estamos perdendo o jogo.
Marlene Ferrari em 01/12/2008 às 21h24
É com muita satisfação que vejo os professores, grupo de pessoas seletas, fazerem uma comentário sério, responsável, científico, esclarecedor utilizando esta mídia que tão rápida alcança milhares de pessoas. Parabéns a todos e meu orgulho por termos pessoas pensantes. Peter Drucker dizia:" A melhor forma de prever o futuro, é criá-lo."
Jornei da Costa Rosa em 01/12/2008 às 22h39
O artigo em pauta, elaborado e editado por professores universitários neste site está apoiado em argumentações consistentes e irrefutáveis. O conceito de erosão e as informações sobre terrenos passíveis de erosão fazem parte do conteúdo curricular do ensino básico. Portanto, não é necessário ter formação em Engenharia Civil, Arquitetura ou Geologia para projetarmos os efeitos oriundos da destruição da camada de vegetação de solos ou alteração de relevos sem a consistente análise de impacto ambiental, sejam eles em declive ou não. A causa de catástrofes, na prática, não está ligada a decisões técnicas, mas a decisões políticas e, principalmente, de interesses negociados entre poderes políticos e grupos com finalidades comerciais, no caso, imobiliário. Várias situações semelhantes têm acontecido e acontecerão pelo mundo afora em nome do “desenvolvimento” com finalidades apenas comerciais. É a emissão descontrolada de CO, destruição de florestas para plantio de grãos, lançamento de esgoto inatura nos rios, etc, etc. Pois bem, quando somos irresponsáveis nas nossas ações, minamos o mundo edificando bombas que lentamente vão explodindo no nosso próprio nariz.
Que pena que temos que sofrer tanto para fazer o óbvio e o básico: respeitar e tratar com mais seriedade os elementos naturais que sustentam a vida.
Acadêmico do curso de Física da UFSM - RS
Ricardo Lima em 01/12/2008 às 22h49
parabens para todos os professores que criaram esse depoimento que de auto importancia, podemos como um todo pensar e refletir que nois mesmo é que estamos fazendo com que isso aconteça " a natureza é boa ao mesmo tempo mar, viver é preciso e asim saber amar" ums dos meus pensamento que coloco aquir para que pensan e reflita sobre o que estamos fazendo, eles (politicos) sao autores dessas tristes cena ao meio ambiente. obrigado!
vilmarenate em 02/12/2008 às 10h58
Quando acontece algo como aconteceu nesses dias em SC,e em outros lugares do Brasil e do mundo...pensamos e queremos achar o ou os culpados (responsáveis) mas....somos todos responsáveis,pois somos os moradores do planeta Terra,ou melhor planeta Água. Há um desiquilíbrio na natureza, e há também um desiquilíbrio no ser humano.
Porque desmatar...para ganhar dinheiro? ao morrer, ninguém leva o dinheiro ou bens materiais, não é ? vamos nos desapegar.... vamos educar-nos, para o equilíbrio, para o amor ..amor a DEUS..amor a nós mesmos e ao próximo. Porque alguns têm tanto e outros tão pouco...vamos dividir, é tão pouco que necessitamos para viver e viver bem, com qualidade de vida. Imitemos o Mestre em Qualidade de Vida: JESUS.
vilma briski em 02/12/2008 às 13h39
Parabéns pelas sábias palavras e pelos argumentos irrefutáveis!
Além da tristeza pela tragédia, é terrível saber que, politicamente, pouco interessa o critério competência na tomada de decisões, ou na ocupação de cargos públicos, outros interesses predominam...
Tomara que tantas perdas não tenham sido em vão.
Dr.Angelika Koester-Lossack,Heidelberg,Alemanha em 02/12/2008 às 15h48
Diese Tragoedie in S.C. sollte uns alle mobilisieren ,die politisch Verantwortlichen davon zu ueberzeugen,dass eine Entwicklungsagenda,die die oekologische Dynamik nicht beachtet,zur Selbstzerstoerung fuehrt.
Ich hoffe,dass die Trauer um die Toten die Ueberlebenden staerkt, alle Versuche,das Gleichgewicht von menschlichen und oekologischen Beduerfnissen weiter zu untergraben, politisch zu verhindern.
Ich hoffe,dass diese schreckliche Katastrophe sich nicht wiederholen wird.Um eine Loesung der Zielkonflikte in der Entwicklung zu erreichen
muessen wir weiter auch auf internationaler Ebene unsere Erfahrungen
austauschen,um eine soziale und nachhaltige Zukunft fuer die Menschen sichern zu helfen.
ALDREIR em 02/12/2008 às 23h00
EU ESTO TORCENDO PARA QUE VOCES RECONTRUAM SANTA CATARINA
Urbano Schmitt Júnior em 03/12/2008 às 15h55
Não é demais lembrar as tais das Audiências Públicas do Código Ambiental(?) Catarinense. Um verdadeiro rolo compressor do articulado dito "setor produtivo" e seus representantes no executivo e legislativo catarinenses, sobre os poucos que ousavam levar esclarecimentos e outros pontos de vista aos debates.
É bom lembrar que parte desse mesmo "setor produtivo" que, é verdade, produz muitos bens de consumo desejados pela sociedade, também traz, e é um dos grandes responsáveis pelas consequências trágicas das naturais intempéries.
É bom lembrar também que os prejuízos do tal do "setor produtivo", graças aos seus representantes nos legislativos e executivos, são rapidamente ressarcidos direta ou indiretamente com o dinheiro público como, aliás, muitos deles já se valeram do mesmo dinheiro público, quando de suas instalações, através de incentivos fiscais, isenção de impostos, infra estrutura, etc.
Provavelmente nenhum desses defensores do tal do Código Ambiental(?) Catarinense lerá esse artigo dos professores, muito menos este comentário, mas gostaria que quando fossem defender os legítimos interesses do setor produtivo, lessem antes o Capítulo "Contabilidade Ambiental e Sustentabilidade" do livro "A Década do Impasse" do conceituadíssimo jornalista e escritor Washington Novaes (pg. 309/329). Verão que ninguém é mais produtivo do que a mãe natureza.
Parabens pelo artigo. Meu total apoio.
T I A G O em 03/12/2008 às 17h10
AUMENTANDO CONHECIMENTO SOBRE AS ENCHENTES.
LORITA JENY NEITZKE em 05/12/2008 às 21h13
O Blumenauense de raiz sabe o que deve fazer. Mas os aventureiros que aqui se instalaram agora reclamam os prejuízos mas não assumem que ignoraram normas elementares de segurança seja para construir, seja para explorar parques como o do Baú. E agora? A natureza deixou claro que o ser humano ainda é insginificante diante da sua grandeza.
Deusa Melo em 08/12/2008 às 10h14
Ótima matéria para entermos melhor o que ocorreu , infelizmente, na regiao. Parabén pelo trabalho e que Deus ilumine os catarinenses e totos nós.
Selma Tavares em 10/12/2008 às 15h12
Isso tudo que esta acontecendo em nosso pais, infelizmente nos somos os unicos culpados pois deveriamos nos vigiarmos mais e para as pessoas de santa catarina os meus sentimentos e que Deus os abençoi
giane em 21/12/2008 às 19h54
isso foi uma tragedea em Santa Catarina, queria que todas aquelas pessoas não morresem e também que que os prefeitos tomarem providessias não so de Santa Catarina mas sinto ador que eles estão passando
De Giane
Para Santa Catarina
kelly em 19/02/2009 às 18h51
Gostaria de deixar para todos os moradores da cidade....que a unica solução em meio de tanta tragedia é o nosso Jesus Cristo.....Ele é o caminho e a verdade.....
chauana roberta pereira em 04/05/2009 às 09h11
que tristeza que aconteceu em Santa Catarina nós sabemos que essas trajediaas estão acontescendo pela açao do ser humano.......
Tadeu Santos em 27/11/2009 às 17h50
‘’UM DESABAFO CLIMÁTICO!’’
Que as mudanças climáticas já estão acontecendo no Sul do país não temos dúvida (SC e RS), porém o Brasil só fala no criminoso desmatamento da Amazônia, tanto os órgãos governamentais quanto a comunidade cientifica e ambientalista. A impressão é que só o desmatamento emite CO², outras fontes como a combustão e queima de combustíveis fósseis não influenciam no desequilíbrio do clima, muito menos então o calor emitido pelas termelétricas. Não consideram as tragédias do clima no Sul de SC, que estão causando pânico na população, matando e destruindo, tanto em áreas urbanas quanto rurais, com enormes prejuízos materiais.
Estamos participando de vários seminários, encontros e reuniões sobre mudanças climáticas em todo país, pois virou moda e consequentemente existe patrocínio para viagens e hospedagens. Outro dia comentei que o município de Araranguá – epicentro do furacão Catarina havia sido contemplado com três eventos climáticos de considerável magnitude num período de apenas 15 dias, como a segunda maior enchente da bacia hidrográfica do rio Araranguá, felizmente sem vitimas (e dai não dá mídia), uma chuva de granizo com pedras de sete cm de diâmetro e um inédito tornado na segunda quinzena de setembro, ou seja, uma semana antes do II EFAMuC. A descrição não poderia se mais trágica, considerando o sofrimento das pessoas atingidas e os prejuízos materiais, mas um comentário inapropriado ironizou que o município era o epicentro então tinha que se acostumar. Numa outra ocasião comentei da menina de treze anos que havia presenciado três eventos climáticos, iniciando com o furacão quando morava em Criciúma, depois a enchente na Barranca e por último o tornado onde está morando no Mato Alto, quando um senhor inocentemente ironizou que então é ela que atrai o problema.
Não é qualquer ventinho que vira dois caminhões numa rodovia como a BR-101 e não é qualquer ventinho que provoca ondas de seis metros como acorreu no Pântano do Sul na Ilha de Florianópolis. Nenhum dos eventos do dia 19 de novembro foi previsto com a violência e gravidade que ocorreu no sul do país, entre Porto Alegre/RS e Florianópolis/SC e por fim anunciaram como vendaval, quando as características foram de tornado e ciclone extratropical. Algo está errado com a eficiência da ciência da meteorologia, eventos como o do Catarina já causaram controvérsias na época, é preciso, portanto buscar explicações com a geofísica e a oceanografia por exemplo. Estatisticamente a tendência é intensificar os eventos climáticos e com mais frequência, porém não estão sendo adotadas medidas preventivas e a população não está preparada para uma adequada adaptação.
Realizamos o II Encontro de Fenômenos Naturais, Adversidades e Mudanças Climáticas da Região Sul, em 07 e 08 de Outubro, em Araranguá, e uma carta / manifesto foi lançada com as principais demandas, onde consta a elaboração de estudos mais profundos como forma de esclarecer a população que quer respostas as tragédias do clima e a criação de um Observatório do Clima em Araranguá. Tentamos contato com órgãos governamentais tanto estadual quanto federal e não existem recursos para determinada ação proposta, ou não existe interesse da classe política, pois quanto mais tragédia mais margem para politicagem com os recursos do Estado e da União.
Tadeu Santos / ONG Sócios da Natureza / Araranguá - SC