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Serra Vermelha novamente em perigo

Autor: Tânia Martins. Publicado em 03/09/2008.

A criação do Parque Nacional da Serra Vermelha é fundamental para a biodiversidade da região. Foto: Miriam Prochnow

O movimento ambiental do Piauí reagiu incrédulo a atitude do governador Wellington Dias em pedir ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc,  que não crie o Parque Nacional da Serra Vermelha.  “A impressão é que o governador está comprometido com a empresa JB Carbon, responsável pela destruição de rica biodiversidade da região”, criticou o Coordenador da Rede Ambiental do Piauí (REAPI), Avelar Amorim.

Para Avelar, diante do crime comprovado que a JB vinha praticando na área e contrariando estudos realizados pelo Ministério do Meio Ambiente, na gestão de Marina Silva, que apontam a necessidade de proteger a área, não justifica o governador ficar contra a preservação dos ecossistemas que ali vinham sendo ceifados para virar carvão e abastecerem as siderúrgicas nacionais.

Francisco Soares, presidente da ONG Fundação Rio Parnaíba (Furpa), demonstra sua indignação e diz não querer acreditar que o governador do Piauí teve uma atitude tão retrógada, ficando contra a criação de uma unidade de conservação na Serra Vermelha, onde está a maior floresta do semi-árido do Nordeste. “Só pode existir um jogo de interesse muito grande. Não justifica querer impedir a proteção de uma área que já foi alvo de vários processos judiciais, todos impedindo a continuidade do projeto”, disse o ambientalista. Vale ressaltar que a Companhia Siderúrgica Nacional, foi uma das doadoras da campanha do governador em 2006 disponibilizando 150 mil reais, bem como a JB Carbon. As informações são do Tribunal Superior Eleitoral, disponível no site Congresso em Foco.

Justiça

Soares se refere a uma Ação Civil Pública do Ministério Público Federal do Piauí, onde a JB perdeu. Também há um parecer da Procuradora Federal, Selene Almeida, da 2° Vara da Justiça Federal, em Brasília, que decidiu pelo fim do projeto e a conservação da floresta, além de outra Ação do Ministério Público Estadual, através da Curadoria do Meio Ambiente.  Sem falar nos fortes indícios de grilagem das terras, onde a empresa não consegue provar que as mesmas não são públicas devolutas.

Se não bastasse, uma nota técnica do Ministério do Meio Ambiente, que já foi transformada em lei, assegura a existência da vegetação de Mata Atlântica na Serra Vermelha. Felizmente, uma lei bastante em vigor no país protege a Mata Atlântica. No caso da região são três os biomas presentes: cerrado, caatinga e mata atlântica, caracterizando a última floresta do Piauí e do nordeste que forma o ecótono.

De acordo com Soares, todas estas provas serão encaminhadas ao ministro Carlos Minc, que, segundo ele, certamente nada sabe do que está por trás da tentativa do governo e empresários em querer destruir vários ecossistemas. Além de a região ser rica do ponto de vista biológico, ainda está em avançado processo de desertificação. “Nesse caso, com tantas irregularidades e ameaças ao futuro daquela região, parece loucura querer deixar os interesses econômicos sobrepor aos ambientais”, comentou.

O Caso

A problemática da Serra Vermelha teve início em 2006 quando ambientalistas constataram que a empresa carioca JB Carbon estava transformando em carvão a última floresta do semi-árido nordestina, de aproximadamente 300 mil hectares. A ação chamou a atenção da imprensa nacional e o IBAMA em Brasília mandou suspender o projeto imediatamente.  Diante do escândalo, a Procuradoria da República entrou com uma Ação Civil Pública para acabar de vez com o projeto.

O Ministério do Meio Ambiente, por sua vez, autorizou estudos objetivando salvar o que ainda restava na área. Tão logo obteve o levantamento, a então ministra Marina Silva, determinou a criação de um Parque Nacional na região e ainda duas reservas extrativistas para garantir emprego e renda as famílias tradicionais da região que vinham sendo escravizadas pela indústria do carvão com seus subempregos.

O movimento ambiental do Piauí acredita que a JB Carbon, embora proibida, nunca desistiu do projeto de produzir carvão na Serra Vermelha e que estaria terceirizando áreas para o fim. Um exemplo é a Carvoaria Rocha, na Serra Negra, vizinha a Serra Vermelha onde 200 mil hectares estão se transformando em carvão com licença ambiental expedida pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente-Semar.

Dados da Curadoria do Meio Ambiente apontam que o órgão já licenciou mais de 3000 mil fornos no Sul do Estado, em áreas de mata nativa. “Não vamos mais tolerar essa situação. Estamos solicitando o apoio da Polícia Federal para ajudar a combater o crime”, diz Francisco Soares, acrescentando que tem esperança em que, diante de tão rico patrimônio, o governador volte atrás e passe a defender o meio ambiente, sob o risco de entrar para a história como um incentivador da destruição da natureza.

Manifestação da RMA

No dia 03 de setembro, a Coordenação da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), encaminhou o ofício abaixo solicitando a tomada de providências por parte do Ministério do Meio Ambiente.

A Sua Excelência a Senhora
IZABELLA MONICA VIEIRA TEIXEIRA
Ministério do Meio Ambiente
Brasília - DF

Assunto: Solicita criação do Parque Nacional de Serra Vermelha - PI

Prezada Senhora,

O Conselho de Coordenação Nacional da Rede de ONGs da Mata Atlântica, reunido em Brasília nos dias 2 e 3 de setembro de 2008, solicita e reivindica a continuidade do processo de criação do Parque Nacional da Serra Vermelha, no Piauí. A criação do Parque foi um dos temas tratados em reunião com o Senhor Ministro do Meio Ambiente, a partir do ofício nº025/08/RMA enviado no último dia 16 de junho, e assinado pela RMA e outras 18instituições.

Essa reivindicação do movimento ambientalista se iniciou em janeiro de 2007, após a identificação de desmatamentos na área a partir do projeto EnergiaVerde.

É importante lembrar que quase toda a área da Serra Vermelha integra o Bioma Mata Atlântica, conforme definição dada pelo Decreto 750/93 e mantida pelanova Lei da Mata Atlântica, sancionada em dezembro de 2006:

Art. 2o  Para os efeitos desta Lei, consideram-se integrantes do Bioma Mata Atlântica as seguintes formações florestais nativas e ecossistemas associados, com as respectivas delimitações estabelecidas em mapa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, conforme regulamento: Floresta Ombrófila Densa; Floresta Ombrófila Mista, também denominada de Mata de Araucárias; Floresta Ombrófila Aberta; Floresta Estacional Semidecidual; e Floresta Estacional Decidual, bem como os manguezais, as vegetações de restingas, campos de altitude, brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste.

Para maior conhecimento da historicidade deste processo, encaminhamos em anexo, os entendimentos e ofícios mantidos com o Ministério do Meio Ambiente sobre o assunto em questão.

Certos de contar com o apoio desta administração, ante a relevância da criação desta unidade de conservação para o bioma Mata Atlântica,despedimo-nos, e colocamos à disposição para o caso de dúvidas.

ELIZETE SHERRING SIQUEIRA
Coordenadora Geral

C/C
Maria Cecilia Wey de Brito - Secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA
Joao de Deus Medeiros - Diretor do DAP/SBF/MMA
Rômulo José Fernandes Barreto Mello - Presidente do ICMBio

Comentários

paulo tajes lindner em 03/09/2008 às 18h48
É lamentável que pessoas ainda insistam em colocar seus projetos políticos e suas vaidades pessoais acima da preservação da biodiversidade brasileira. Tomara Deus que o pessoal do Piauí possa dar uma resposta a altura ao governo daquele estado mostrando que a população está mobilizada em defesa do meio ambiente.

caio quintela fortes em 03/09/2008 às 20h49
Infelizmente a gente fica enfurnado neste sul sem saber o que esta correndo nas demais areas deste imenso pais. e essas campeas de distribuicao de dividendos vai corroendo o nosso futuro. Ou alguem duvida que o Brasil era o pais do futuro, enquanto tinha natureza forte. Algo semelhante ocorre no extremo norte de Mato Grosso, entre os rios Teles Pires e o Juruena, formando o Tapajos. A Brascan reinvindica essa area dos Caiabis, para usar como compensacao ambiental em outra regiao.

eliezer nery em 03/09/2008 às 21h05
Toda a pessoa de bom senso está contra qualquer prática que venha macular o meio ambiente direta ou indiretamente. A preservação da biodiversidade é impressindível para nossa existência ! A MÃE NATU-REZA ACIMA DE TUDO!...

Glauco Roberto Marins Polita em 03/09/2008 às 22h49
Esté é um mau exemplo de Gestão Pública onde vê apenas o ambiente como uma fonte de recursos inesgotáveis, levando em conta apenas os interesses pessoais em busca de poder e dinheiro. Reflete no estado uue encotnram-se das unidades de conservação em todo o território nacional, ameaçadas. Nem precisamos imaginar o quanto damos importância para a conservação da diversidade biológica, onde como nação temos obrigação de manter e garantir para as atuais e principalmente as futuras gerações, conforme rege a Convenção da Diversidade Biológica, o qual foi assinada por 175 países, dos quais 168 a ratificaram, incluindo o Brasil e isso com certeza não exclui o estado do Piauí. O Governo está indo na contra-mão do que pregam as nações envolvidas em prol da conservação da vida, isto só tem um nome, CRIME.

Neusa Gomes em 05/09/2008 às 12h06
Acho uma tremenda insensatez por parte do governador, já que somos piauienses deveríamos fazer realmente uma mobilização popular em favor do nosso meio ambiente e não incentivar à destruição, isso é um absurdo e abuso, fala sério, esse aí é mesmo nosso administrador?

RAQUEL FONSECA em 05/09/2008 às 15h35
Acho que somos forte o bastante para defender a nossa linda floresta sou uma curimataense que estou na luta contra esse crime de vergonha nacionl, colocando a  minha própia vida para salvar a SERRA VERMELHA. A população em geral de curimatá está completamente revoltada e está manifestando em defesa  da nossa biodiversidade. VERGONHA, VERGONHA, VERGONHA...

expedito edvaldo rocha ferreira em 07/09/2008 às 12h37
É até difícil de acreditar, que o governador do meu Piauí;esteja de acordo com tais ações dessa magnitude, pois sabendo ele por ser uma pessoa nascida no interior, que a destruição da floresta é uma coisa definitiva que não tem com refazer o que será destruído. Espero que o ministro do meio ambiente, se sensibilize com a nossa luta em favor da preservação daquela região de valor incalculável para os habitantes locais e demais brasileiros. Podem contar com meu apoio caso possa ajudar em alguma coisa.

andrea em 10/09/2008 às 15h09
Não deixem que destruam esse lugar maravilhoso(PODEM CONTAR COMIGO SE PRECISAR!!), sou de São Paulo e em breve espero poder conhecer esse lugar de natureza deslumbrante>

Antonio Padilha em 15/09/2008 às 15h36
É inacreditável a obstinação dos que querem destruir o nosso mundo por causa do dinheiro... É muito triste.
So de São Paulo, tenho acompanhado há bastante tempo a luta para defender a Serra Vermelha, e gostaria de poder fazer alguma coisa para ajudar vocês do Piauí, que estão empenhados em defender a nossa Mãe Natureza contra essa ganância sem sentido.

Thyciane rodrigues em 15/10/2008 às 13h09
olá
eu estudo em um colégio particular de Teresina,e como piauiense me sinto indignada com essa situação do nosso patrimônio ambiental,por isso esse ano para nossa feira de ciências eu e meus amigos vamos falar sobre a serra vermelha.gostaria de pedir pesquisas,artigos e informações para vocês,se puderem por favor mandem para meu e-mail!!

obrigado

Antonio Neto Alves em 03/10/2009 às 22h37
É uma vergonha para o governador do Piauí em apoiar um projeto tão faraônico quanto esse, o governaor está totalmente contra a vida humana, porque qum apoia este projeto não respeita nem a vida ambiental, nem animal nm tão pouco a humana. eu sou totalmente contra esse porjeto de destruição. Sou natural de Morro Cabeça no Tempo, mas atualmete estudo teológia em Feira de Santana-BA.

Antonio Neto Alves em 03/10/2009 às 22h39
Escrevi muitos emails para mostrar que sou totalmente contra esse desmatamento.

Matheus Mendes em 19/11/2009 às 20h03
A gestao politica do Piaui é uma das mais incrédula do pais, principalmente no que diz respeito ao governo Wellington Dias (PT), o qual faz licenciamento ambiental por dinheiro privado!
Queimando, como o semi-arido piauiense, o proprio futuro do Estado.
Isso é lastimável e deprimente, mas mesmo assim ainda temos que continuar cobrando dos nossos politicos e denunciar sempre que possivel!

carlos em 19/03/2010 às 18h38
Eu moro no Rio de Janeiro e estou à disposição para ajudar na luta pela preservação da Serra Vermelha.

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