
Propaladas por muita gente como fonte de energia alternativa e de baixo impacto ambiental, as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), nem sempre apresentam um impacto ambiental tão baixo assim, em especial quando elas vem em penca, ou seja, construídas uma após a outra no mesmo rio e sem o devido EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental), uma vez que para a construção desse tipo de hidrelétrcia é necessária apenas a elaboração de um PAB (Plano Ambiental Básico).
É o caso de inúmeras PCHs já divulgadas pela Apremavi anteriormente e é também o caso das seis PCHs planejadas para serem construídas na Bacia do Rio Cubatão do Sul, nos municípios de Santo Amaro da Imperatriz e Águas Mornas.
Os dois municípios que tem no turismo de natureza, aventura e águas termais, sua maior fonte de recursos, vêem tudo ameaçado pela construção em cadeia dessas pequenas hidrelétricas.
A comunidade local iniciou um movimento contrário à construção das PCHs e a Apremavi está apoiando a campanha, divulgando o Abaixo-assinado.
Participe você também da campanha pela preservação do Rio Cubatão, na região dos municípios de Santo Amaro da Imperatriz e Águas Mornas, em Santa Catarina, assinando o abaixo-assinado contra a instalação de seis PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) na Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão do Sul.
O abaixo-assinado será endereçado ao Presidente da FATMA (Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina).
Nós abaixo-assinados, usuários das águas da bacia hidrográfica do rio Cubatão do Sul, vimos por meio deste documento declarar nosso posicionamento contrário a instalação de 6 (seis) Pequenas Centrais Hidrelétricas abaixo relacionadas sendo 3 (três) no rio Cubatão do Sul (Sto Amaro da Imperatriz) e 3 (três) no rio Caldas do Norte (Águas Mornas)e favoráveis a preservação deste manancial.
PCH SANTO AMARO (rio Cubatão do Sul)
PCH ANTÔNIO MUNHOZ BONILHA (rio Cubatão do Sul)
PCH JOÃO HELÓI (rio Cubatão do Sul)
PCH SACRAMENTO (rio Caldas do Norte)
PCH CALDAS DO NORTE (rio Caldas do Norte)
PCH CANTO DOS SCHULWZ (rio Caldas do Norte)
Veja abaixo matéria de Flora Neves, veiculada no site Ambiente Já, no dia 25 de Julho de 2008.
A polêmica foi a marca da audiência
pública que apresentou o projeto de 6 (seis) pequenas centrais hidrelétricas
(PCH) no Rio Cubatão Sul, nos municípios de Santo Amaro da Imperatriz e Águas
Mornas, região metropolitana de Florianópolis (SC). Realizada na noite de
quarta-feira (23/07), no Sindicato dos Agricultores Rurais de Santo Amaro da
Imperatriz, a reunião serviu para que a comunidade deixasse claro seu repúdio
ao projeto. Pedindo transparência no licenciamento das hidrelétricas, os
presentes exigiram maiores esclarecimentos técnicos por parte da Fatma e da
proponente do projeto, a Adiplan.(http://www.adiplan.com.br/)
A audiência, proposta pela Comissão de Turismo e Meio Ambiente da AL-SC, foi
mediada pelo presidente da comissão, Deputado Estadual Décio Góes (PT). Segundo
ele, foi necessária muita cautela, pois existe um sério conflito de uso dos
recursos hídricos na região. Faixas e vídeos com fotos foram exibidos pelos integrantes
do Movimentos Rio Cubatão Vivo, pedindo pela preservação da Bácia Hidrográfica
do Rio Cubatão Sul.
A Adiplan apresentou o exemplo de uma PCH, no RS, implantada por uma
cooperativa de agricultores, onde os resultados foram positivos. "Essas
instalações são importantes para o suprimento de energia da rede hoteleira da
região, assim como para o desenvolvimento dos municípios, trazendo centenas de
empregos diretos e indiretos, sem contar os impostos que serão arrecadados das
empresas", ressaltou Hélio João Machado, engenheiro e responsável pelo
projeto. A empresa ainda distribuiu um documento apócrifo no início da
audiência, garantindo que o turismo na região não será afetado, como teme a
comunidade e as empresas de turismo de aventura. “Quem é contra as PCHs é
contra a Constituição Brasileira”, dizia um trecho do texto.
"Existem duas atividades econômicas competindo pelo uso dos recursos
hídricos no caso e sendo assim, cabe ao poder público mediar as prioridades de
uso desses recursos", declarou representante da Fundação Estadual do Meio
Ambiente (FATMA) no evento, Luiz Antônio Garcia Correia. Ele antecipou que uma
das 6 PCHs já recebeu parecer negativo da fundação. Correia garantiu que os
processos de licenciamento foram sustados por 90 dias, para que a comunidade,
em conjunto com o Comitê Gestor da Bacia hidrográfica, apresente suas
avaliações a respeito dos projetos.
No final da audiência o representante da FATMA se comprometeu em organizar, em
novembro, uma reunião explicativa sobre os estudos técnicos de impactos
ambientais dos empreendimentos. "É importante que as discussões e
avaliações sejam baseadas na legislação ambiental", frisa Correia.
Turismo contra
Já o representante da Associação Brasileira de Turismo de Aventura (ABETA),
Keko Gabeloto, demonstrou a posição clara do setor turistico. "Defendemos
a preservação total dos mananciais e somos contra a construção de centrais
hidrelétricas nos munícipios". Sengundo ele “O rio é um bem público e deve
ser utilizado por toda a comunidade, para abasteciemnto e lazer. E no meu
entendimento estas hidrelétricas não são a vocação deste Rio”.
Keko lembra a relevância da bacia, já que parte do município pertence ao Parque
Estadual da Serra do Tabuleiro. "A região é conhecida como Capital das
Águas, sendo o Cubatão Sul o último rio de médio porte em condições naturais,
sem instalações e alterações em seus cursos e fazer parte de um corredor
ecológico com o Parque do Tabuleiro", acrescenta. "O potêncial de
energia elétrica que será gerado, 13 MW, não vale a pena em comparação com
todos os impactos ambientais que serão gerados".
De acordo com dados da ABETA a atividade turística gera cerca de R$ 1 milhão
por ano só para o município de Santo Amaro.
Para complicar ainda mais a situação dos projetos, a Câmara de Vereadores de
Santo Amaro da Imperatriz sancionou dia 30 de junho de 2008, a Lei nº 8.198, que
proíbe qualquer instalação de centrais hidreléricas no município. Na vizinha
Águas Mornas o entrave para os projetos está no plano diretor, que preve discussões
em audiências públicas para a implantação de hidrelétricas.
A geógrafa Ana Maria Zachetta, moradora de Águas Mornas, alega a falta de
estudos geológicos, esclarecedores, a respeito das fendas de águas termais da
região. "Seria um risco mexer na dinâmina hidrológica da região sem saber
quais os possíveis impactos que estas alterações causariam. Podendo até
desencadear o desaparecimento das águas termais, como já foi constatado em
casos anteriores no século XIX, quanto foi mal direcionado o uso desta mesma
fenda, fazendo com que as águas termais mudacem de lugar", argumenta ela.
Futura audiência
Não faltam questionamentos e dúvidas para as próximas audiências em novembro. Da
existência de espécies de fauna endêmica na região, passando pela dinâmica da fauna
aquática (período da piracema etc), ao abastecimento de água da capital
Florianópolis, que retira do Rio Cubatão 60% da sua água para consumo humano.
O representante da empresa Sócio Ambiental, que realizou o projeto ambiental
das PCHs, Ricardo Arcai, declara que quando foram feitos os estudos, os unicos
conflitos identificados eram com a atividade de rafting, pois a vazão
resultante das instalações impedirá a prática. "Pórem este problema
poderia ser resolvido com estudos e técnicas já utilizadas em outros países,
onde são feitos acordos com escalas de horários para a prática", sugere
ele.
A doutoranda na área de gestão de bacias hidrográficas da UFSC, Janaina Mário,
que também é membro do Comitê Gestor da Bacia, traz sua contribuição a favor do
Comite e da comunidade. Ela questiona o fato do exemplo da PCH instalada no RS,
apresentado pela Adiplan, ser uma PCH instituida por uma cooperativa, o que não
é o caso dos empreendimentos no rio Cubatão. "Além disso, não existe uma
bácia hidrografica igual a outra”, ensina ela.
Janaina lembra da Lei nº 9.433 da Costituíção, que institui a politica nacional
de recursos hídricos e que também institui os comites de bacias, que são órgãos
gestores e que têm a função de arbitrar os conflitos gerados pelos usos múltiplos
desse recurso e sugere que está lei seja levada em consideração.