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Opiniões de quem sabe o que diz


Está na hora de Santa Catarina dar o devido valor ao seu patrimônio natural. Urubici. Foto: Wigold B. Schaffer.

Dra. Analúcia Hartmann

Procuradora da República do Ministério Público Federal

Todos nós entendemos que não é possível continuar licenciando as PCHs sem planejamento estratégico de bacia ou EIA que considere a suportabilidade ambiental do ecossistema e a cumulatividade dos usos, especialmente em se tratando de alterações de vazão e necessidades de consumo de água. Há discussão com a FATMA sobre o termo de referência necessário para tais estudos, visando chegar a um consenso. Infelizmente as autorizações de corte da FATMA tem apresentado problemas, o que, se continuar, deverá ensejar atuação judicial.

Dr. Ivo Theis

Professor da Furb

Em Santa Catarina, a urbanização vem ganhando o jogo contra a flora e contra a diversidade que os ecossistemas do Estado ainda exibiam faz não muitos anos. Não se trata de negar a cidade, de acabar com o urbano. Trata-se de ordenar a ocupação do solo, na cidade como também no campo. Todavia, enquanto o solo estiver sob o governo de interesses especulativos, enquanto ele for considerado simples mercadoria, não se avançará em direção à redução dos problemas ambientais apontados, nem no campo nem na cidade.

Dr. Leonardo Rubi Rörig

Professor do Centro de Ciências Tecnológicas, da Terra e do Mar da Univali

O que temos visto em Santa Catarina é triste, consternador, angustiante. Enquanto a propaganda oficial do Governo do Estado, cinicamente, tenta apresentar uma imagem de preservação dos nossos ecossistemas, os dados técnicos mostram que a realidade é completamente oposta. Aparecemos vergonhosamente entre os estados mais devastadores e poluidores do país. Santa Catarina é o estado que mais devastou a Mata Atlântica nos últimos anos e que tem um dos piores níveis de tratamento de esgotos no país. Isso não é sintoma de modernidade, de avanço tecnológico, de sustentabilidade, de progresso. É sintoma de que existe uma política e uma economia equivocadas, baseadas na destruição ambiental, na privatização de benefícios e na distribuição dos prejuízos decorrentes das devastações à população e à máquina pública.

Dr. Christian G. Caubet

Professor de Direito Ambiental
Duas vezes Representantes da FEEC no CONAMA

As matérias de jornal, devidamente isentas de críticas às omissões governamentais, mesmo assim só conseguem evidenciar, ano após ano, o progresso rápido do descalabro do qual são vítimas as condições de vida da população. Em toda a rede hidrográfica de SC, mal se encontram 4 ou 5 curtos trechos de rios de Classe 1, segundo já observava o único atlas geográfico de SC, que já tem mais de 15 anos! Mas também estão piorando as condições do ar (emissões de fumaças domésticas e industriais), o despejo indiscriminado e incontrolado de agrotóxicos, as construções imobiliárias em espacos protegidos, inclusive os de proteção dita permanente (beiras de rios, topos de morros e encostas íngremes, áreas de vegetação especial: dunas,restingas, manguezais,...), a especulação imobiliária nessas áreas ditas protegidas, as expansões urbanas caóticas, a disposição final de resíduos sólidos urbanos e hospitalares.

Luiz G. dos Santos

Presidente do Comitê da Bacia do Rio Cubatão

A concessão de PCHS no Rio Cubatão do Sul é motivo de questionamento, pois nossa bacia possui características únicas, exemplo disso é que metade dela esta inserida no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e seu valor é o abastecimento humano, com a vinda das atividades aquáticas (Rafting) a Bacia passa a ser usada com área de Lazer, com retorno econômico. Atualmente possui 6 empresas de ecoturismo .

Dr. Luiz Fernando K. Merico

Geólogo, Ex-Diretor do Ministério do Meio Ambiente

Como comentário geral pode-se dizer que a proposta de Código Ambiental é bastante conservadora e está completamente fora de outros modelos de gestão ambiental estadual no Brasil. Constitui-se em retrocesso, mesmo porque aposta no conflito com normas federais como estratégia, o que é ou má fé, ou burrice.

Sérgio Luís Boeira

Não há uma política ambiental organizada de forma democrática e participativa. Os conselhos gestores em cada município continuam reproduzindo o setorialismo, à sombra dos poderes executivos, e poucos municípios dispõem de conselhos de meio ambiente (especialmente deliberativos). A desarticulação impera entre Estado e sociedade civil e permite o avanço da política ambiental convencional, comandada pelo mercado, segundo a qual o Estado e a sociedade civil são obstáculos ao "crescimento econômico".

Míriam Santini de Abreu

Jornalista e dirigente sindical

As mudanças põe a nu a hipocrisia de governantes, burocratas e empresários que falam em desenvolvimento sustentável mas que, de forma sutil ou escancarada, aceleram a transformação da natureza em mercadoria em Santa Catarina.

Alexandre Vibrans

Engenheiro Florestal, coordenador do projeto Inventário Florístico Florestal para Santa Catarina, afirmação feita em seminário realizado em Blumenau em março de 2009.

Não podemos mudar as leis da natureza, da química, da física, da biologia, de Newton. Precisamos aprender a respeitar. Essas leis não podem ser mudadas nas assembléias e câmaras.

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