Flora
Muitas espécies da flora da Mata Atlântica são endêmicas e ameaçadas de extinção.
Jequitibá Rosa - Parque Estadual do Vassununga - SP
Maior árvore viva da Mata Atlântica
Flora
O conjunto de fitofisionomias que
forma a Mata Atlântica propiciou uma significativa diversificação
ambiental, criando as condições adequadas para a evolução de um
complexo biótico de natureza vegetal e animal altamente rico. É por
este motivo que a Mata Atlântica é considerada atualmente como um dos
biomas mais ricos em termos de diversidade biológica do Planeta.
Não há dados precisos sobre a diversidade total de
plantas da Mata Atlântica, contudo considerando-se apenas o grupo das
angiospermas (vegetais que apresentam suas sementes protegidas dentro
de frutos), acredita-se que o Brasil possua entre 55.000 e 60.000
espécies, ou seja, de 22% a 24% do total que se estima existir no
mundo. Desse total, as projeções são de que a Mata Atlântica possua
cerca de 20.000 espécies, ou seja, entre 33% e 36% das existentes no
País. Para se ter uma idéia da grandeza desses números, basta
compará-los às estimativas de diversidade de angiospermas de alguns
continentes: 17.000 espécies na América do Norte, 12.500 na Europa e
entre 40.000 e 45.000 na África.
Apenas em São Paulo, estado que possuía cerca de 80% de
seu território originalmente ocupado por Mata Atlântica, estima-se
existirem 9.000 espécies de fanerógamas (plantas com sementes,
incluindo as gimnospermas e angiospermas), 16% do total existente no
País e cerca de 3,6% do que se estima existir em todo o mundo. No caso
das pteridófitas (plantas vasculares sem sementes como samambaias e
avencas), as estimativas apontam para uma diversidade entre 800 e 950
espécies, que corresponde a 73% do que existe no Brasil e 8% do mundo.
O Museu de Biologia Mello Leitão publicou, em 1997,
estudos desenvolvidos na Universidade Federal do Espírito Santo e da
Universidade de São Paulo, dizendo que na Estação Biológica de Santa
Luzia, município de Santa Teresa (ES), foram identificadas 443 espécies
arbóreas em um área de 1,02 hectare de floresta ombrófila densa. Na
seqüência, estudos realizados no Parque Estadual da Serra do Conduru,
no Sul da Bahia, elevaram esse número para 454 espécies de árvores por
hectare (Jardim Botânico de Nova Iorque e CEPLAC). Estas descobertas
superam o recorde de 300 espécies por hectare registrado na Amazônia
Peruana em 1986 e podem significar que de fato a Mata Atlântica possui
a maior diversidade de árvores do mundo.
Vale ressaltar que das plantas vasculares conhecidas da
Mata Atlântica 50% são endêmicas, ou seja, não ocorrem em nenhum outro
lugar no planeta. O endemismo se acentua quando as espécies da flora
são divididas em grupos, chegando a índices de 53,5% para árvores, 64%
para palmeiras e 74,4% para bromélias.
Muitas dessas espécies endêmicas são frutas conhecidas,
como é o caso da jabuticaba, que cresce grudada ao tronco e aos galhos
da jabuticabeira (
Myrciaria trunciflora), daí seu nome
iapoti-kaba, que significa frutas em botão em tupi. Outras frutas
típicas da Mata Atlântica são a goiaba, o araçá, a pitanga, o caju e as
menos conhecidas cambuci, cambucá, cabeludinha e uvaia. Outra espécie
endêmica do bioma é a erva mate, matéria-prima do chimarrão, bebida
bastante popular na região Sul.
Muitas dessas espécies, porém, estão ameaçadas de
extinção. Começando pelo pau-brasil, espécie cujo nome batizou o País,
várias espécies foram consumidas à exaustão ou simplesmente eliminadas
para limpar terreno para culturas e criação de gado. Atualmente, além
do desmatamento, outros fatores concorrem para o desaparecimento de
espécies vegetais, como o comércio ilegal. Um exemplo é o palmito
juçara (
Euterpe edulis), espécie típica da Mata Atlântica, cuja
exploração intensa a partir da década de 1970 quase levou à extinção.
Apesar da retirada sem a realização e aprovação de plano de manejo ser
proibida por lei, a exploração clandestina continua forte no País. O
mesmo vem acontecendo com o pinheiro-do-paraná ou araucária (
Araucaria angustifolia),
espécie que chegou a responder por mais de 40% das árvores existentes
na floresta ombrófila mista, hoje reduzida a menos de 3% de sua área
original. Orquídeas e bromélias também são extraídas para serem
vendidas e utilizadas em decoração. Plantas medicinais são retiradas
sem qualquer critério de garantia de sustentabilidade.
Em um bioma onde as espécies estão muito entrelaçadas
em uma rede complexa de interdependência, o desaparecimento de uma
planta ou animal compromete as condições de vida de várias outras
espécies. Um exemplo é o jatobá (
Hymenaea courbarail). A
dispersão de suas sementes depende que seu fruto seja consumido por
roedores médios e grandes capazes de romper a sua casca. Como as
populações desses roedores estão diminuindo muito, os frutos apodrecem
no chão sem permitir a germinação das sementes. Com isso, já são raros
os indivíduos jovens da espécie. À medida em que os adultos forem
morrendo, faltará alimentos para os morcegos, que se alimentam do
néctar das flores de jatobá.