As unidades de conservação existentes em Santa Catarina cobrem apenas 2% do território, área insuficiente para garantir a conservação da biodiversidade nas florestas do Estado. A maior parte dos remanescentes florestais encontra-se em propriedades privadas, inclusive em pequenas propriedades, visto que a estrutura fundiária do Estado caracteriza-se por apresentar mais de 90% das propriedades rurais de pequeno porte, ou seja, menores do 50 hectares.

Isso aumenta a responsabilidade dos proprietários e os torna importantes parceiros na preservação da Mata Atlântica. O desenvolvimento de modelos de propriedades que levem em conta o processo produtivo e a conservação dos ecossistemas é de extrema importância para permitir o uso sustentado dos recursos naturais de uma região.
O planejamento agrícola, em geral, leva em consideração somente aspectos físicos do ambiente, como solo, clima e relevo e aspectos de mercado, de forma pontual e desconectada. Aliar o planejamento de propriedades com o de paisagens supõe que sejam considerados os aspectos ecológicos no planejamento, relacionando-se, assim, a estrutura dos ecossistemas naturais e as suas funções ambientais (serviços ambientais) com os sistemas produtivos das propriedades rurais.
A dinâmica do planejamento de propriedades e paisagens deve seguir duas escalas de trabalho, uma em nível de propriedade, e outra em nível de município. Em nível de propriedade, são oferecidas ao proprietário orientações sobre a recomposição de APPs e reservas legais, enriquecimento de florestas secundárias, implantação de reflorestamentos com espécies nativas de valor econômico, sistemas agroflorestais, agricultura ecológica e implantação de microcorredores ecológicos.

Em nível municipal, é importante o levantamento da paisagem do município de Atalanta, considerando-se os seguintes dados: fragmentos de habitats existentes; condições ecológicas destes fragmentos; tamanho médio dos fragmentos; distância média entre os fragmentos; ameaças à integridade dos fragmentos; tipos de relevos, uso do solo e a existência de corredores ecológicos.
As atividades de planejamento de propriedades e paisagens estão fundamentadas nas experiências desenvolvidas pela Apremavi nos últimos dezoito anos de trabalho, em especial na Comunidade de Alto Dona Luiza, em Atalanta, onde foram desenvolvidas algumas propriedades “modelo”, que servem de base para difusão e replicabilidade para outras comunidades do município.