Apremavi ajuda a debater ampliação da Conectividade da Paisagem em Workshop na USP

dez 13, 2017 | Notícias

Entre os dias 05 e 07 de dezembro de 2017 a Apremavi esteve na Universidade de São Paulo (USP) para acompanhar o Workshop Ampliação da Conectividade: quais os critérios para estabelecer Corredores Ecológicos por meio da Restauração e Gestão da Paisagem?

Idealizado pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), o evento contou com uma ampla gama de atores, incluindo diferentes níveis de governo, organizações não-governamentais, academia, parcerias público-privadas, grupos comunitários e empresas privadas, de regiões importantes no âmbito das florestas tropicais do continente americano: a Amazônia brasileira, colombiana e peruana e a Mata Atlântica brasileira, argentina e paraguaia.

O evento debateu critérios objetivos que permitam dar escala para a conectividade de paisagens nas suas diferentes dimensões (local, nacional e multinacional), de modo a potencializar sinergias entre iniciativas na América do Sul. Os principais temas e dimensões para a promoção da conectividade discutidos no evento foram:

  1. coerência entre políticas públicas;
  2. redes multinacionais – comunicação, coordenação e cooperação;
  3. integração entre áreas protegidas;
  4. restauração de paisagens como estratégia de mitigação e adaptação baseada em ecossistemas;
  5. pesquisa e desenvolvimento em dinâmica do uso das terras em escala de paisagens.

Plenária valida os cenários construídos nos grupos de trabalho. Foto: Carolina Schäffer.

Diferente escalas

Um grupo formado por mais de 70 pessoas ajudou a formular uma proposta inicial de elencando alguns critérios para estabelecer Corredores Ecológicos por meio da Restauração e Gestão da Paisagem. O documento final ainda está sendo sistematizado pelos organizadores do evento. As salas de debate foram divididas nesses temas:

  • Escala Local: integração entre conservação e agricultura por meio da adoção de boas práticas, aumento da conectividade ecológica e gestão da paisagem;
  • Escala Subnacional/Nacional: dinâmica do uso da terra: aumento da produtividade e menor uso da terra, controle do desmatamento, restauração de paisagens e estabelecimento de corredores ecológicos;
  • Escala e redes multinacionais: melhorando a comunicação, coordenação e cooperação entre países.

Também estiveram no evento pesquisadores de várias instituições do Brasil que ajudaram a instigar o debate sobre a Conectividade da Paisagem. Paulo Saldiva, do Instituto de Estudos Avançados (IEA), mencionou que este workshop é uma excelente oportunidade de fazer ciência em ação.

Jean Paul Metzger, do Departamento de Ecologia da USP, agregou ao debate a importância da aproximação multidimensional: “precisamos ampliar o escopo e pensar em paisagens conectadas para o incremento da diversidade biológica e também para o bem estar humano”, disse.

Ricardo Rodrigues, do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF), fez uma contextualização sobre o papel das áreas agrícolas no contexto da restauração de paisagem, sendo importante incluir os agricultores pelo passivo de áreas a serem restauradas.  “E a perspectiva do agricultor muitas vezes parte do ponto de vista da sustentabilidade econômica dos produtores“, complementou.

Fábio Scarano, da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), comentou um pouco sobre os gargalos da escala local apontando a falta de governança, a dificuldade de ‎monitoramento e avaliação e a relação de ‎comando e controle com os agricultores como os pontos mais críticos.

Bernardo Strassburg, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), acredita que para garantir maior escala de conectividade no nível nacional é preciso investir em inteligência espacial, aprimorando o entendimento das aptidões do solo e da comunidade. Bernardo inclusive apresentado apresentado o resultado inicial de um mapa que mostra, por exemplo, que o Estado de Santa Catarina tem sua área total com grande aptidão para restauração.

Moara Giasson, do IBAMA, destacou ainda que na escala multinacional, para garantir uma escala na conexão das paisagens, é preciso abrir as fronteiras e ‎alavancar a comunicação.

 

Grupo de trabalho discute o cenário da paisagem na escala local. Foto: Carolina Schäffer.

Facilitação artística

A novidade no evento foi a facilitação artística com declamação de poesias pelo poeta Nuno Arcanjo (foto abaixo). Os processos de facilitação artística tem a ideia de estimular, de maneira criativa, a percepção do que é autêntico, particular e belo em cada um, e a sua acolhida para a transformação do coletivo.

Com cada vez mais adeptos, a facilitação também estimulou a representante da Apremavi, Carolina Schaffer, a apresentar o resultado do grupo de trabalho (Cenário Local) em forma de Haikai. Para quem não conhece, um Haikai é um tipo de poema japonês composto por três versos que, muitas vezes, se conectam sem rimas e terminam em disposições com cortes abruptos.

 

Haikai intrometido da paisagem local

para mudar um padrão local por vezes injustiçado, pouco entendido e desconectado

se atente para 3 fortes sementes: socioeconomia, comunicação e governança

que, quando transformadas, são diálogos livres e socioecologia segura, garantindo corredores de sustentabilidade em distintas paisagens locais conectadas

Nuno Arcanjo declama a poesia síntese do segundo dia de trabalho. Foto: Carolina Schaffer.

Galeria

Autora: Carolina Schäffer

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